sábado, 27 de fevereiro de 2010

Errante Solitário



Do o talento sem maneiras,
do jeito que vem,
sem pensar,
apenas escrevendo o que vem de espontâneo...

Difícil é não pegar a borracha pra revisar...
E quando a borracha é o "delete"?
E quando o lápis são as teclas que você aprendeu a usar para escrever?
Difícil maneirar...

Prefiro deixar as maneiras para os que não sentem,
para os que estão aqui para maneirar...

E forma-se o que eu senti...
E foda-se o que entenderam...

E dai?
E dai?
E?
Quem é quem vem achar que pode maneirar o que tenho para falar?
Sinta-se ofendido, no mínimo em seu lugar.
Claro, se achar que este é o seu lugar...
Cada um entende as palavras uni_versais como únicas experiências vividas! Ainda bem que não vivi a sua interpretação...
Quem sabe seria eu o errante solitário para te mostrar o que ainda não conseguiu enxergar?

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Metodo Dali

"Método espontâneo de conhecimento irracional baseado na associação interpretativa-critica dos fenômenos delirantes"
Enviado pelo meu aparelho BlackBerry da Claro

Jazzy Bong do Relógio na Praça




Prestes a março, estava eu no Mariana Grill quando ela eu vi,
não ao vivo, mas em vibbes pela net!
Só poderia ser a Mariana, oh nome viu,
E Mariana Grill é o nome do bar

E dei uma volta pra com a fumaça desenhar no ar quando:
Jazzy bong do relógio na praça...
Me atraiu e parei em um Scoth Bar
Lugar onde 2 templos estão se olhando
Paralelepípedos e mais paralelepípedos

Confessei olhando para os templos, nunca tinha usado esta palavra, paralelepípedos, relatando antes...

E a Mariana?
Qual delas mesmo?
A dos templos encarados?
Ah, a cidade! Niteroi?
Opa, confundi tudo de novo...

E Jazzy bong do relógio na praça!
Será a contagem dos rounds entre os templos encarados?
Jazzy pelo menos!

A briga dos templos me levou a Ana...
Aquela...
No final, volta a ela, aquela...
Que merda!

Já pensei em gravar Vai!
E repetir em loop, Vai, vai, vai "delay"
Na cabeça está pronta, em vento, pensamento soprando o caminho do tempo...
Eh, vou gravar...
Escutam os antenados!

Mas é apenas mais uma rua de paralelepípedos cruzando duas igrejas na cidade de Mariana! A dona da pizzaria, quer dizer, Mariana Grill!!!
Sem grelha, aliás!

Vibram os tic tacs, chamando o...?
Jazzy bong do relógio na praça!
Como uma bomba relógio, chamando...
Jazzy bong do relógio na praça!
Mas, aterrisando nova_mente em Mariana
Jazzy bong do relogio na praça!

Jazzy bong do relogio na praça!...

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Marchinha de carnaval!

Essa Fada
Dínamo Ribeiro

Andando pela rua
Encontrei uma fadinha

Essa fada, essa fadinha
Essa fada, essa fadinha

Me perguntaram:
Como é essa fadinha?

Como é safada
Essa fadinha
Como é safada
Essa fadinha
Enviado pelo meu aparelho BlackBerry da Claro

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Muito a Dizer!

As vezes é muito fácil ser eu
As vezes é melhor ser outra pessoa



...

As vezes há dias que acho muito fácil ser eu mesmo…
Mas tem dias que é muito melhor ser outra pessoa…
Tenho tanto a dizer que acho que vão me entender melhor se eu não for eu mesmo…
Para não ficar chato sabe…
Não ser tachado de sonhador…
Não ser chamado de Peter Pan…
Para poder brincar com as Alices no nosso mundo das maravilhas sem me sentir aproveitador…
Queria acreditar que o mundo é esse mesmo, virado, como nossa geração virou…
Mas prefiro minha certeza que essa virada que demos foi só para vermos o outro lado e que no fundo, no fundo, em algum lugar, que eu ainda não vi, existe um brilho do sorriso com os olhos que nenhuma Alice sem máscara ainda me mostrou.
Vou continuar sonhando, em meu disco voador…

sábado, 23 de janeiro de 2010

Av. Paris, 2171

Que ventos estes me trouxeram novamente a Paris?
Ventos da infância,
da máquina do tempo,
de lembranças de outra vida.

Ventos me trazem ao lugar que deixei quando ainda tinha dezesete, isto foi em que ano mesmo? 2.171?
Que futuro distante este que já é passado...

Ainda lembro:
das cabanas de refúgio,
dos muros divisórias em que equilibrava a vida pelo fio,
das gudeiras rolando na terra como se cada uma fosse um planeta orbitando meu sistema.

Como posso lembrar de tanta coisa que ainda nem aconteceu?
O futuro é este presente que veio me trazendo lembranças do passado.
Como é bom viajar no tempo...

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Sem Filtro dos Sentidos

Esta falta de um filtro dos sentidos, dos sonhos, que nos leva para o céu, que nos faz apegar a tudo com muita emoção, que nos faz aprender sozinho tanta coisa, que nos inspira e nos faz sofrer, que nos distrai com tanta informação ao mesmo tempo, que nos transforma em músicos, poetas, artistas de alma, artistas de verdade...

sábado, 19 de dezembro de 2009

Borboleta Tatuada



Com a borboleta tatuada nas costas
casos de uma vida fora de casa
de fora do casulo em vida nova
voando, sonhando, se encontrando

Encanta-se com a liberdade
nova mente sem maldade
com vontade de viver
sentindo outra vez

Venham novas flores
Novas chuvas com sabores
Ventos, tempestades
Novidades...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Cartas a um jovem poeta



Há dias venho pensando neste blog que venho mantendo.
De vez enquando aquela vontade de apagar tudo!
Será que estou sendo compreendido ou mal interpretado?
Pedia conselhos a alguns amigos sobre gramática, correção e eles ou cortavam logo o assunto ou apenas elogiavam falando do talento.
Mas não era isso que eu queria saber, e até hoje quando dei de cara com o nome deste livro e procurei na net algo mais sobre o assunto minha cabeça ainda estava embaralhada.
Dizem que os livros certos aparecem nas horas certas, este calhou.
Se vou continuar escrevendo por muito tempo ainda não sei, só sei que gosto disso e me faz bem.

Abaixo a resposta que muitos poetas gostariam de receber...


Cartas a um jovem poeta
(Primeira carta)

Rainer Maria Rilke


Paris, 17 de fevereiro de 1903

Prezadíssimo Senhor,

Sua carta alcançou-me apenas há poucos dias. Quero agradecer-lhe a grande e amável confiança. Pouco mais posso fazer. Não posso entrar em considerações acerca da feição de seus versos, pois sou alheio a toda e qualquer intenção crítica. Não há nada menos apropriado para tocar numa obra de arte do que palavras de crítica, que sempre resultam em mal-entendidos mais ou menos felizes. As coisas estão longe de ser todas tão tangíveis e dizívies quanto se nos pretenderia fazer crer; a maior parte dos acontecimentos é inexprimível e ocorre num espaço em que nenhuma palavra nunca pisou. Menos suscetíveis de expressão do que qualquer outra coisa são as obras de arte, — seres misteriosos cuja vida perdura, ao lado da nossa, efêmera.

Depois de feito este reparo, dir-lhe-ei ainda que seus versos não possuem feição própria, somente acenos discretos e velados de personalidade. É o que sinto com a maior clareza no último poema Minha alma. Aí, algo de peculiar procura expressão e forma. No belo poema A Leopardi talvez uma espécie de parentesco com esse grande solitário esteja apontando. No entanto, as poesias nada têm ainda de próprio e de independente, nem mesmo a última, nem mesmo a dirigida a Leopardi. Sua amável carta que as acompanha não deixou de me explicar certa insuficiência que senti ao ler seus versos sem que a pudesse definir explicitamente. Pergunta se os seus versos são bons. Pergunta-o a mim, depois de o ter perguntado a outras pessoas. Manda-os a periódicos, compara-os com outras poesias e inquieta-se quando suas tentativas são recusadas por um ou outro redator. Pois bem — usando da licença que me deu de aconselhá-lo — peço-lhe que deixe tudo isso. O senhor está olhando para fora, e é justamente o que menos deveria fazer neste momento. Ninguém o pode aconselhar ou ajudar, — ninguém. Não há senão um caminho. Procure entrar em si mesmo. Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: morreria, se lhe fosse vedado escrever? Isto acima de tudo: pergunte a si mesmo na hora mais tranqüila de sua noite: "Sou mesmo forçado a escrever?” Escave dentro de si uma resposta profunda. Se for afirmativa, se puder contestar àquela pergunta severa por um forte e simples "sou", então construa a sua vida de acordo com esta necessidade. Sua vida, até em sua hora mais indiferente e anódina, deverá tornar-se o sinal e o testemunho de tal pressão. Aproxime-se então da natureza. Depois procure, como se fosse o primeiro homem, dizer o que vê, vive, ama e perde. Não escreva poesias de amor. Evite de início as formas usais e demasiado comuns: são essas as mais difíceis, pois precisa-se de uma força grande e amadurecida para se produzir algo de pessoal num domínio em que sobram tradições boas, algumas brilhantes. Eis por que deve fugir dos motivos gerais para aqueles que a sua própria existência cotidiana lhe oferece; relate suas mágoas e seus desejos, seus pensamentos passageiros, sua fé em qualquer beleza — relate tudo isto com íntima e humilde sinceridade. Utilize, para se exprimir, as coisas do seu ambiente, as imagens dos seus sonhos e os objetos de sua lembrança. Se a própria existência cotidiana lhe parecer pobre, não a acuse. Acuse a si mesmo, diga consigo que não é bastante poeta para extrair as suas riquezas. Para o criador, com efeito, não há pobreza nem lugar mesquinho e indiferente. Mesmo que se encontrasse numa prisão, cujas paredes impedissem todos os ruídos do mundo de chegar aos seus ouvidos, não lhe ficaria sempre sua infância, esta esplêndida e régia riqueza, esse tesouro de recordações? Volte a atenção para ela. Procure soerguer as sensações submersas deste longínquo passado: sua personalidade há de reforçar-se, sua solidão há de alargar-se e transformar-se numa habitação entre o lusco e fusco diante do qual o ruído dos outros passa longe, sem nela penetrar. Se depois desta volta para dentro, deste ensimesmar-se, brotarem versos, não mais pensará em perguntar seja a quem for se são bons. Nem tão pouco tentará interessar as revistas por esses seus trabalhos, pois há de ver neles sua querida propriedade natural, um pedaço e uma voz de sua vida. Uma obra de arte é boa quando nasceu por necessidade. Neste caráter de origem está o seu critério, — o único existente. Também, meu prezado Senhor, não lhe posso dar outro conselho fora deste: entrar em si e examinar as profundidades de onde jorra sua vida; na fonte desta é que encontrará resposta à questão de saber se deve criar. Aceite-a tal como se lhe apresentar à primeira vista sem procurar interpretá-la. Talvez venha significar que o Senhor é chamado a ser um artista. Nesse caso aceite o destino e carregue-o com seu peso e a sua grandeza, sem nunca se preocupar com recompensa que possa vir de fora. O criador, com efeito, deve ser um mundo para si mesmo e encontrar tudo em si e nessa natureza a que se aliou.

Mas talvez se dê o caso de, após essa decida em si mesmo e em seu âmago solitário, ter o Senhor de renunciar a se tornar poeta. (Basta como já disse, sentir que se poderia viver sem escrever para não mais se ter o direito de fazê-lo). Mesmo assim, o exame de sua consciência que lhe peço não terá sido inútil. Sua vida, a partir desse momento, há de encontrar caminhos próprios. Que sejam bons, ricos e largos é o que lhe desejo, muito mais do que lhe posso exprimir.

Que mais lhe devo dizer? Parece-me que tudo foi acentuado segundo convinha. Afinal de contas, queria apenas sugerir-lhe que se deixasse chegar com discrição e gravidade ao termo de sua evolução. Nada a poderia perturbar mais do que olhar para fora e aguardar de fora respostas a perguntas a que talvez somente seu sentimento mais íntimo possa responder na hora mais silenciosa.

Foi com alegria que encontrei em sua carta o nome do professor Horacek; guardo por este amável sábio uma grande estima e uma gratidão que desafia os anos. Fale-lhe, por favor, neste meu sentimento. É bondade dele lembrar-se ainda de mim; e eu sei apreciá-la.

Restituo-lhe ao mesmo tempo os versos que me veio confiar amigavelmente. Agradeço-lhe mais uma vez a grandeza e a cordialidade de sua confiança. Procurei por meio desta resposta sincera, feita o melhor que pude, tornar-me um pouco mais digno dela do que realmente sou, em minha qualidade de estranho.

Com todo o devotamento e toda a simpatia,






Rainer Maria Rilke nasceu em Praga no dia 4 de dezembro de 1875. Depois de viver uma infância solitária e cheia de conflitos emocionais, estudou nas universidades de Praga, Munique e Berlim. Suas primeiras obras publicadas foram poemas de amor, intitulados Vida e canções (1894). Em 1897, Rilke conheceu Lou Andreas-Salomé, a filha de um general russo, e dois anos depois viajava com ela para seu país natal. Inspirado pelas dimensões e pela beleza da paisagem como também pela profundidade espiritual das pessoas que conheceu, Rilke passou a acreditar que Deus estava presente em todas as coisas. Estes sentimentos encontraram expressão poética em Histórias do bom Deus (1900). Depois de 1900, Rilke eliminou de sua poesia o lirismo vago que em parte lhe haviam inspirado os simbolistas franceses, e, em seu lugar, adotou um estilo preciso e concreto, que podemos perceber em O livro das horas (1905), que consta de três partes: O livro da vida monástica, O livro da peregrinação e O livro da pobreza e da morte. Esta obra o consolidou como um grande poeta por sua variedade e riqueza de metáforas, e por suas reflexões um pouco místicas sobre as coisas.

Em Paris, em 1902, Rilke conheceu o escultor Auguste Rodin e foi seu secretário de 1905 a 1906. Rodin ensinou o poeta a contemplar a obra de arte como uma atividade religiosa e a fazer versos tão consistentes e completos como se fossem esculturas. Os poemas deste período apareceram em Novos poemas (2 volumes, 1907-1908). Até o início da I Guerra Mundial, o autor viveu em Paris de onde realizou viagens pela Europa e pelo norte da África. De 1910 a 1912 viveu no castelo de Duíno, próximo a Trieste (agora na Itália), e ali escreveu os poemas que formam A vida de Maria (1913). Logo após iniciou a primeira redação das Elegias de Duíno (1923), obra esta em que já se percebe uma certa aproximação dos conceitos filosóficos existenciais de Soren Kierkegaard.

Em sua obra em prosa mais importante, Os cadernos de Malte Laurids Brigge (1910), novela iniciada em Roma no ano de 1904, empregou imagens corrosivas para transmitir as reações que a vida em Paris provocava em um jovem escritor muito parecido com ele mesmo.

Residiu em Munique durante quase toda a I Guerra Mundial e em 1919 mudou-se para Sierra (Suíça), onde se estabeleceu para o resto de sua vida, salvo algumas visitas ocasionais a Paris e Veneza, concluindo as Elegias de Duíno e escreveu Sonetos a Orfeu (1923). Estas obra são consideradas as mais importantes de sua produção poética. As Elegias representam a morte como uma transformação da vida e uma realidade interior que, junto com a vida, foram uma coisa única. A maioria dos sonetos cantam a vida e a morte como uma experiência cósmica. Rilke morreu no dia 29 de dezembro de 1926 em Valmont (Suíça).

Sua obra, com seu hermetismo, solidão e ociosidade, chegou a um profundo existencialismo e influenciou os escritores dos anos cinqüenta tanto na Europa como na América.


Texto extraído do livro "Cartas a um jovem poeta", tradução de Paulo Rónai, Editora Globo – Rio de Janeiro, 1995.

O Poeta



O poeta
Vinícius de Moraes

A vida do poeta tem um ritmo diferente
É um contínuo de dor angustiante.
O poeta é o destinado do sofrimento
Do sofrimento que lhe clareia a visão de beleza
E a sua alma é uma parcela do infinito distante
O infinito que ninguém sonda e ninguém compreende.

Ele é o etemo errante dos caminhos
Que vai, pisando a terra e olhando o céu
Preso pelos extremos intangíveis
Clareando como um raio de sol a paisagem da vida.
O poeta tem o coração claro das aves
E a sensibilidade das crianças.
O poeta chora.
Chora de manso, com lágrimas doces, com lágrimas tristes
Olhando o espaço imenso da sua alma.
O poeta sorri.
Sorri à vida e à beleza e à amizade
Sorri com a sua mocidade a todas as mulheres que passam.
O poeta é bom.
Ele ama as mulheres castas e as mulheres impuras
Sua alma as compreende na luz e na lama
Ele é cheio de amor para as coisas da vida
E é cheio de respeito para as coisas da morte.
O poeta não teme a morte.
Seu espírito penetra a sua visão silenciosa
E a sua alma de artista possui-a cheia de um novo mistério.
A sua poesia é a razão da sua existência
Ela o faz puro e grande e nobre
E o consola da dor e o consola da angústia.

A vida do poeta tem um ritmo diferente
Ela o conduz errante pelos caminhos, pisando a terra e olhando o céu
Preso, eternamente preso pelos extremos intangíveis.

Rio de Janeiro, 1933
 
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